A conta do golpe: patentes, aposentadorias e privilégios devem ser cassados

A condenação de Jair Bolsonaro e do núcleo militar da tentativa de golpe de Estado em 2022 não é um desfecho simbólico apenas: ela abre espaço para consequências reais, duras e que transformam oficiais poderosos em cidadãos sem regalias, ou melhor, em pessoas com privilégios em risco. Vencimentos, aposentadorias — tudo que até ontem parecia inviolável — poderá ser revogado.

Bolsonaro e a novela das escolhas

A vida política de Jair Bolsonaro e de sua família poderia ter tomado rumos muito diferentes. O que vemos hoje — um ex-presidente condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão, sendo 24 anos e 9 meses de reclusão e os outros 2 anos e 6 meses de detenção, além de 124 dias-multa de dois salários mínimos; desmoralizado perante a história.

Reinaldo Azevedo: “Fux vilaniza o STF em parceria com Trump…”

A capa da abertura do vídeo da análise do jornalista Reinaldo Azevedo sobre o voto vergonhoso e patético do ministro do STF Luiz Fux dá o exato tom do sentimento de todos nós: “Fux vilaniza o STF, em parceria com Trump e – o- entreguismo, e protege golpistas”

O “voto médio” e a gravidade da trama golpista

O julgamento do núcleo central da tentativa de golpe de Estado de 2022 entrou numa nova fase, revelando não apenas a responsabilidade de Jair Bolsonaro e de seus cúmplices, mas também a complexidade de se fixar as penas de quem tentou rasgar a Constituição. Após o ministro Flávio Dino indicar a possibilidade de penas menores para três dos oito réus — entre eles o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, e os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira — abriu-se no Supremo Tribunal Federal a perspectiva de se adotar o chamado “voto médio”. Se Trata de uma solução que busca harmonizar eventuais divergências entre os ministros quanto ao tamanho das punições, estabelecendo uma pena de referência a partir da média dos votos.

O medo de Bolsonaro: A “Papuda”

O medo de Bolsonaro de acabar na Papuda (prisão federal masculina no distrito federal) virou assunto nacional após relato de Mônica Bergamo na BandNews: a perspectiva de encarar a prisão mais célebre de Brasília, palco de condenações de políticos como Maluf, Geddel e Luiz Estevão, dissolveu qualquer bravata do ex-presidente – que já admite o risco entre interlocutores e sonha com um desfecho menos traumático.

Anistia inconstitucional para Bolsonaro e cúmplices: a manobra vergonhosa que afronta o desejo da maioria

Enquanto o STF julga Bolsonaro e outros protagonistas do golpe de 2022, a bancada bolsonarista no Congresso — liderada pelo PL de Valdemar Costa Neto, ex-condenado e multado pelo TSE — move esforços para aprovar uma ampla anistia, mentindo descaradamente que se trata de “justiça” e “direito à defesa”. O projeto conta com o apoio de partidos do centrão (PP, União Brasil, Republicanos, PSD) e da extrema-direita, articulando cerca de 300 votos só na Câmara.

A hora da verdade do golpismo: O julgamento de Bolsonaro

Hoje começou no Supremo Tribunal Federal o julgamento de Jair Bolsonaro e mais sete cúmplices da tentativa de golpe de Estado contra o vencedor das eleições presidenciais de 2022, Luís Inácio Lula da Silvade. O processo, que já entra para a história como divisor de águas, marca o momento em que o Brasil confronta, de forma institucional, aqueles que tentaram subverter a Constituição e instalar um regime autoritário.

Clã Bolsonaro: A Hipocrisia do “Deus, Pátria e Família”

A reportagem do Intercept sobre o clã Bolsonaro , do jornalista João Filho, é o retrato fiel do que já se sabe, infelizmente poucos, mas que agora ganha registro documental: a hipocrisia e a degradação interna do clã Bolsonaro. O lema “Deus, Pátria e Família”, usado como peça publicitária por integralistas e depois reciclado pelo bolsonarismo, cai por terra quando confrontado com os áudios e prints obtidos pela Polícia Federal no celular de Jair Bolsonaro.

As conversas revelam um Silas Malafaia em modo “chefe de quadrilha”, segundo o jornalista, gritando palavrões e ameaçando Eduardo Bolsonaro. O líder espiritual não oferece bênção, conselho ou reflexão — apenas intimidações. Fica nítido que a Bíblia serve mais como biombo moral do que como fonte de conduta. O “Deus acima de todos” foi reduzido a slogan de palanque.