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Por PolitikBr I Brasília, Em 01/05/2026, 08h:52, leitura: 8 min
Editor: Rocha, J.C.
A guerra mudou. Não será mais como antes. Os dias das grandes formações blindadas avançando sob cobertura aérea podem estar contados. O que está emergindo no campo de batalha — no sul do Líbano, na Ucrânia, no Mar Vermelho — é um novo paradigma, onde drones baratos, produzidos em massa, e operados por um único combatente, estão neutralizando os equipamentos militares mais caros e sofisticados já construídos.
O caso do Hezbollah contra as Forças de Ataque de Israel é um estudo de caso perfeito dessa transformação. Drones FPV (First Person View – visão em primeira pessoa) que custam algumas centenas de dólares estão destruindo tanques Merkava que custam US$ 5 milhões cada. Em um único dia (26 de março), 21 tanques Merkava foram destruídos por drones, em uma emboscada preparada pelo Hesbollah.

Até o momento, quase 100 tanques foram atingidos. Os sistemas de defesa aérea de Israel — Iron Dome, David’s Sling, Arrow — são inúteis contra esses pequenos quadricópteros que voam a apenas 2 metros do chão, abaixo da linha de detecção dos radares. E a novidade mais preocupante: o Hezbollah está usando drones guiados por cabos de fibra ótica, imunes a sistemas de guerra eletrônica. Israel não pode interceptá-los. Não pode rastreá-los. Não pode detê-los.
O mesmo padrão se repete na Ucrânia, onde drones ucranianos e russos têm transformado o campo de batalha em um laboratório de guerra assimétrica. E no Mar Vermelho, onde drones iranianos forçaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln a recuar — um evento que os analistas estão chamando de “o fim da era dos super porta-aviões”.

Drone FPV: A Arma de US$ 500 que Destrói um Tanque de US$ 5 milhões
Um drone FPV é, em essência, um quadricóptero comercial modificado. Uma câmera transmite vídeo em tempo real para os óculos de realidade aumentada do operador. Uma ogiva explosiva de cerca de 5 kg é acoplada ao drone para o seu ataque à infantaria, tanques, radares e etc. O custo total — dependendo da fonte — varia de algumas centenas de dólares a pouco mais de US$ 1.000 cada um.
O tanque Merkava israelense – usado como exemplo nesse artigo -, por outro lado, custa entre US$ 5 e 7 milhões, dependendo da configuração.
Guerra não é só matança indiscriminada; sem sentido. Ela é acima de tudo um balanço econômico entre o valor do ativo a eliminar e o custo do armamento ou do recurso a se empregar, por exemplo um míssil. No caso da guerra – admitida pelo Ministro das Relações Exteriores da Rússia – Sergei Lavrov. entre a OTAN e a Federação Russa, o uso de um míssil iskander, Tzircon, ou oreshnik só se justifica dependendo do valor político-estratégico do alvo a eliminar. No caso da guerra assimétrica entre o Hesbollah e Israel no sul do Líbano, essa relação de custo contra Israel é absurda.
E o Hezbollah tem demonstrado isso repetidamente no sul do Líbano. Em 26 de março, a revista Military Watch documentou a destruição de 21 tanques Merkava em um período de 24 horas. Até o final de março, o número total de tanques destruídos havia chegado a quase 100, segundo a publicação.
Por Que os Sistemas de Defesa Aérea Não Funcionam?
No caso de Israel, o Iron Dome foi projetado para interceptar foguetes não guiados. O David’s Sling foi projetado para mísseis táticos e o Arrow projetado para mísseis balísticos. Isto é, eles atuam em camadas.
E nenhum desses sistemas foi projetado para detectar e interceptar um pequeno drone FPV voando a 2 metros do chão, portando uma poderosa carga explosiva, para a entrega no alvo ou uso kamikase.
A moderna “guerra de drones” é recente. Ela se iniciou em 2022 com o início da Operação Militar Especial Russa na Ucrânia, e esses sistemas de defesa anti aérea israelenses já estavam desenvolvidos há mais de uma década.
De modo geral, os radares de defesa aérea são otimizados para detectar alvos em altitude — mísseis, aviões, helicópteros. Eles têm dificuldade em distinguir um pequeno quadricóptero do ruído de fundo no nível do solo. Mesmo quando detectados, os sistemas de interceptação são projetados para alvos que voam em linha reta, previsíveis. O drone FPV é errático, rápido, e voa em padrões evasivos.
O resultado: Israel não tem uma defesa eficaz contra essa ameaça. Soldados israelenses têm recorrido ao uso de armas pessoais para tentar abater os drones — com sucesso limitado.
Leia ainda:
A Revolução da Fibra Ótica: Imune à Guerra Eletrônica
Drones guiados por fibra ótica foram inicialmente desenvolvidos pela Rússia, que usa o “terreno ucraniano” como campo de prova de conceito, e de efetividade de seus novos desenvolvimentos militares. Entretanto, hoje os ucranianos/OTAN fazem o mesmo.

O sucesso da destruição da infantaria mecanizada e de tanques, tanto do lado russo quanto do lado ucraniano, levou essa nova forma de combate assimétrico a ser empregada pelo Hesbollah contra Israel. Na prática, torna o emprego dos tanques Merkava obsoleto, que assim tem que recorrer ao emprego de proteções improvisadas, em geral, ineficientes, para proteger os tanques e a sua tripulação. A Rússia está um passo à frente com novos tanques T-90M Proryv, projetados para eficiente defesa anti drones. Mas cabe lembrar que a guerra já se arrasta a 4 anos.
Os novos tanques Russos estão saindo de fábrica com estruturas de proteção superiores (gaiolas) mais sofisticadas e, crucialmente, sistemas de guerra eletrônica (EW) integrados, como o sistema Saniya, projetados para criar uma “bolha” que interfere no sinal dos drones antes que eles se aproximem.
Sempre que a Rússia introduz uma nova blindagem ou bloqueador de sinal, as forças ucranianas tentam adaptar as frequências de seus drones ou usar IA para guiagem terminal autônoma, que não depende de sinal de rádio.
É um jogo de gato e rato onde a inovação que funciona hoje pode se tornar obsoleta em poucas semanas.
Em termos de tecnologia, portanto, o Hesbollah deu um passo à frente. Os seus drones mais avançados, portanto, não usam mais rádio controle. Eles são guiados por cabos de fibra ótica de até 10 km de comprimento. Isso torna muito difícil a defesa da infantaria, dos tanques e de outros veículos militares, contra essas novas e mortais ameaças.
Os drones do Hezbollah são literalmente invisíveis e ininterruptíveis para os sistemas de guerra eletrônica israelenses.
O Impacto no Campo de Batalha
As consequências táticas são profundas. Relatórios indicam que os soldados israelenses estão relutantes em se mover em terreno aberto. Comboios durante o dia se tornaram um risco enorme.
Aparentemente a incursão terrestre israelense, visando anexar o sul do Líbano pela força, estagnou. Comandantes militares israelenses alertam que uma invasão em larga escala seria catastrófica.

O Fim da Era dos Porta-Aviões?
O impacto dos drones não se limita ao campo de batalha terrestre. No Mar Vermelho, drones iranianos forçaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln a recuar. A Casa Branca não confirmou nem negou — manteve silêncio. Mas o porta-aviões não está mais onde estava. Aliás, todos os ativos militares dos EUA estão a mais de 350Km da costa do Irã. Eles sabem que se chegarem mais próximos serão alvo de mísseis de médio alcance e de drones.
Analistas estão chamando isso de “o fim da era dos super porta-aviões”. Esses “monstros de aço”, de projeção de poder americano, não fazem mais sentido nas guerras entre grandes e médias potências militares bem armadas, como o Irã.
A Rússia e a China, por exemplo, com os seus poderosos e mortais mísseis hipersônicos, com cargas explosivas extremamente potentes, podem afundar qualquer porta aviões dos EUA se uma guerra surgir. Mesmo o Irã pode fazer isso.
Há uma suposição de que se o Irã afundasse o Abraham Lincoln, um ativo de cerca de US$ 13 bilhões, os EUA responderiam com uma ataque nuclear tático. Mas será que eles fariam o mesmo contra a Rússia ou a China? Certamente não.
No caso do Irã, um enxame de drones, que custa uma fração dos US$ 13 bilhões, pode saturar as defesas do Porta Aviões e da sua escolta, expulsando o grupo de batalha da região. Isso, aparentemente, foi o que aconteceu no Golfo Pérsico.
Esse artigo não teve a pretensão de esgotar esse assunto. Mas sim trazer o tema à nova realidade da guerra e de conflitos regionais.
Esse artigo foi baseado em:
- YouTube: Cover Up: Hezbollah VICTORIES Over Israeli Forces in Lebanon Hidden by Media (30/04/2026)
- Military Watch Magazine: https://militarywatchmagazine.com/article/israel-largest-tank-losses-40yrs-ambushes-21-merkava
- CNN: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/russia-acusa-otan-e-uniao-europeia-de-declararem-guerra-real-ao-pais/

