Deutsche Bank entra no yuan — Menor Exposição ao Risco do Dólar é um dos Motivos?

Rapidinha PolitikBr
Há movimentos no sistema financeiro internacional que parecem pequenos quando observados isoladamente. Mas alguns deles ganham outra dimensão quando colocados lado a lado.

A decisão do Banco Central da China de autorizar o Deutsche Bank como primeiro banco europeu de clearing de transações em renminbi (yuan) é um desses movimentos.

A notícia foi tratada pela CNN como mais um passo na internacionalização da moeda chinesa. E, à primeira vista, é exatamente isso. Mas há algo maior acontecendo: o sistema financeiro mundial começa, lentamente, a construir alternativas à dependência do dólar.

Isso não significa que o yuan esteja substituindo o dólar. Está muito longe disso. Mas significa que o monopólio de fato do dólar sobre o comércio internacional, começa a ser questionado por instituições financeiras que, até pouco tempo atrás, tinham poucos incentivos para fazê-lo.

RICHARD WOLFF: “O Petrodólar Está Morto…Trump Vive em Negação.”

O economista da Universidade do Massachusetts analisa a crise terminal do dólar como moeda de reserva única, o colapso do sistema de petrodólar (a Arábia Saudita não renovou o acordo com os EUA), e a ascensão do mundo multipolar. Enquanto Trump ameaça e se contradiz, o BRICS+ já construiu a arquitetura financeira substituta: o BRICS Pay e a unidade de conta UNIT, lastreada em 40% ouro. O Brasil, que emite seus primeiros títulos em yuan e investe em dissuasão militar, parece ter entendido o que Washington se recusa a aceitar.

O BRASIL SE PREPARA PARA O MUNDO COMO ELE É: Mísseis e Yuan

Em menos de uma semana, o Brasil anunciou a inauguração da maior fábrica de mísseis da América Latina (em Caçapava, SP) e a preparação da primeira emissão de títulos soberanos em yuan. Não é contradição. É realismo estratégico. Os mísseis garantem a dissuasão em um mundo beligerante. O yuan reduz a dependência do dólar em um mundo multipolar. O Brasil não está virando potência bélica — está se preparando para não ser refém. A paz, para ser duradoura, não pode ser a paz dos fracos.

MIGUEL NICOLELIS: A “Brain Net” do Americano em Frangalhos e o Risco de Convulsão e Desintegração dos EUA

O neurocientista brasileiro, 37 anos nos EUA, testemunha a fragmentação de uma sociedade que perdeu a confiança em si mesma. A guerra contra o Irã é apenas o sintoma. A doença é mais profunda: a falência moral e econômica, o fim do sonho americano, e o risco real de uma nova guerra civil e fragmentação.

Desdolarização e a Migração do Swift para o CIPS

Desde 1944 com os Acordos de Bretton Woods  o dólar norte-americano vem sendo usado não apenas como moeda de referência internacional, mas como arma geopolítica — capaz de punir países, sufocar economias e ditar a pauta de aliados e adversários. Através de mecanismos como o sistema SWIFT, Washington impôs sanções a quem quisesse, congelou ativos, como por exemplo dos da Federação Russa em 2022, e, em nome da “ordem internacional”, consolidou um poder de coerção que transformou sua moeda em verdadeiro “cetro” de chantagem de Estado da política global.