Larry Johnson: O Estreito de Ormuz, a Crise Energética Global e os Limites dos EUA

O Estreito de Ormuz tornou-se o epicentro de uma crise energética global, com o Irã bloqueando a passagem e atacando petroleiros dos Emirados Árabes Unidos que tentam burlar o bloqueio. As reservas estratégicas de petróleo dos EUA estão no nível mais baixo em 40 anos, e o mundo enfrenta uma escassez de diesel e combustível de aviação. Militarmente, os EUA esgotaram seus estoques de mísseis e não conseguem produzi-los rapidamente devido à dependência da China por minérios de terras raras. Na Ucrânia, a Rússia avança em sete frentes, caminhando para a derrota completa do país. O império americano, que iniciou a guerra com promessas de vitória rápida, encontra-se agora militarmente superado, logisticamente estrangulado e politicamente isolado.

RICHARD WOLFF: “O Petrodólar Está Morto…Trump Vive em Negação.”

O economista da Universidade do Massachusetts analisa a crise terminal do dólar como moeda de reserva única, o colapso do sistema de petrodólar (a Arábia Saudita não renovou o acordo com os EUA), e a ascensão do mundo multipolar. Enquanto Trump ameaça e se contradiz, o BRICS+ já construiu a arquitetura financeira substituta: o BRICS Pay e a unidade de conta UNIT, lastreada em 40% ouro. O Brasil, que emite seus primeiros títulos em yuan e investe em dissuasão militar, parece ter entendido o que Washington se recusa a aceitar.

O BRASIL SE PREPARA PARA O MUNDO COMO ELE É: Mísseis e Yuan

Em menos de uma semana, o Brasil anunciou a inauguração da maior fábrica de mísseis da América Latina (em Caçapava, SP) e a preparação da primeira emissão de títulos soberanos em yuan. Não é contradição. É realismo estratégico. Os mísseis garantem a dissuasão em um mundo beligerante. O yuan reduz a dependência do dólar em um mundo multipolar. O Brasil não está virando potência bélica — está se preparando para não ser refém. A paz, para ser duradoura, não pode ser a paz dos fracos.