O Lucro da Desinformação – Por que as Big Techs Não Combatem as Fake News?

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Por PolitikBr I Brasília, Em 25/08/2026, 17h:09min, leitura: 5min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigose publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

A poucos meses das eleições, o Brasil se vê diante de uma batalha desigual: de um lado, o poder de manipulação das redes sociais impulsionado por inteligência artificial; de outro, a capacidade de resposta de um Estado que tenta, a passos lentos, regulamentar um território que se renova a cada segundo.

Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas foram diretos ao ponto: as grandes plataformas tecnológicas, as chamadas big techs, têm plena capacidade técnica para identificar e barrar deepfakes e notícias falsas. No entanto, não há interesse em fazê-lo. O motivo é tão simples quanto perturbador: a desinformação dá dinheiro.

O Negócio da Emoção

Caio Almendra, cofundador do Instituto Brasileiro de Ciência de Dados (Bi0s), explica que soluções para verificar a identidade em vídeos e evitar manipulações já existem. Seria possível, por exemplo, criar sistemas de “opt-in” (consentimento) para que um vídeo de um candidato só pudesse ser editado com autorização expressa. “Tem tecnologia para isso? Claro que tem”, afirma Almendra.

O problema, segundo ele, não é tecnológico, mas de modelo de negócio. As big techs, especialmente as americanas, na era da inteligência artificial (IA) – não as chinesas de código aberto -, ainda buscam lucratividade em meio aos astronômicos custos de desenvolvimento, se estamos falando da OpenAI e outras dos EUA; e o engajamento desenfreado é o combustível que mantém as máquinas girando.

Aliás, Miguel Nicodelis fala, apropriadamente, que esse tipo de negócio altamente alavancado é uma “bolha especulativa em valor” que irá explodir, já que não se tem rentabilidade nesse tipo de negócio. Aliás, o “grande negócio” das big techs não é o público em sim, mas os bilhóes de dólares que jorram em contratos com o governo americano. Portanto, se houvesse lisura e vontade política, a inibição da ação manipuladora das redes sociais teria fim.

Outro especialista que fala sobre o assunto é Rodrigo Prando, ele é cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ele diz:

“As big techs monetizam, lucram com todo o conteúdo que invariavelmente tem um forte apelo emocional, afetivo. Nós temos raiva, medo, angústia, desilusão, desespero, ódio, e todos esses sentimentos, especialmente manipulados por inteligência artificial em fotos ou vídeos, acabam criando engajamento”.

A lógica é perversa e eficiente: quanto mais extremo o conteúdo, maior a reação; maior a reação, mais compartilhamentos; mais compartilhamentos, mais lucro para as plataformas.

A Caixa-Preta dos Algoritmos

Se o interesse em combater a desinformação é nulo, o que dizer da transparência?

Almendra também destacou a opacidade dos algoritmos como um dos maiores obstáculos. “Existem diversas profissões ligadas ao simples fato de o algoritmo ser secreto, e não público, então achar que o usuário vai saber, sendo que o especialista não sabe”, lamenta.

O funcionamento fechado desses sistemas impede que até mesmo especialistas compreendam como os conteúdos são distribuídos e viralizam, criando um terreno fértil para a manipulação .

Regulação e Responsabilidade do Eleitor

Diante desse cenário, a saída parece difícil. Para Prando, é humanamente impossível que os atores regulatórios, como o Legislativo e o Judiciário, tenham a mesma velocidade de inovação que tem as big techs. Nesse jogo de ação e reação, o eleitor ganha um papel determinante. A defesa contra as fake news, portanto, exige um esforço ativo de checagem e ceticismo por parte de quem consome a informação.

Enquanto isso, o Brasil tenta “pegar água com a mão” ao buscar regulamentação, como bem definiu o analista Mateus Mendes. A soberania nacional no ciberespaço é um conceito ainda em construção, e a batalha contra a desinformação promete ser uma das principais marcas do pleito de 2026.

Quer saber mais? Leia a matéria completa no site da Sputnik Brasil, clicando aqui.

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