O Tribunal Penal Internacional e a Hipocrisia dos EUA

A administração Trump declarou o Tribunal Penal Internacional (TPI) uma organização ilegítima, em mais um capítulo da histórica rejeição americana a uma justiça internacional que não controla. A hipocrisia se revela na seletividade: o TPI foi legítimo quando emitiu mandado contra Putin (2023), mas se tornou “ilegítimo” quando fez o mesmo contra Netanyahu (2024). A ordem executiva de Trump, de fevereiro de 2025, impôs sanções ao tribunal e a quem coopere com ele, numa tentativa de proteger aliados e garantir impunidade. O caso de Bolsonaro, acusado de genocídio indígena no TPI e até hoje não julgado, ilustra a seletividade do sistema. O que Washington não tolera é que os seus cidadãos, ou os seus principais aliados, sejam responsabilizados por tribunais que não controlam.

Netanyahu Tece a sua Redenção Sobre os Escombros de Gaza

Em um palco global ensanguentado, Benjamin Netanyahu, o homem que por anos vem definindo a política israelense com mãos de ferro e retórica inflexível, curva-se. Não perante as vítimas de Gaza, cujo número se perde na casa das dezenas de milhares, mas perante a instituição presidencial de seu próprio país, em um pedido formal de clemência