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Por Política em Debate I Brasília, Em 19/07/2025, 07h:47
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Já era esperado que Trump fosse tomar alguma atitude, por mais inócua que seja, depois da ação da Polícia Federal na casa de Bolsonaro em Brasília. Agora o ex-presidente da extrema direita, como Trump, passa a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, já que há risco real de Bolsonaro tentar fugir do país ou se refugiar em uma embaixada. Então, a ameaçada de meses atrás dos EUA tomar medidas contra Moraes se materializou. Enfim. O que esperar de uma governança abusiva e truculenta como a de Trump? Nada mais que isso. E pior.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou nas redes sociais a revogação dos vistos de entrada nos Estados Unidos do ministro do STF Alexandre de Moraes, de seus familiares e — de maneira vaga, mas simbólica — de “aliados no tribunal”.
A medida seria uma retaliação às ações judiciais movidas por Moraes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que recentemente passou a usar tornozeleira eletrônica e foi alvo de buscas e apreensões determinadas pelo STF. Bolsonaro também está proibido de usar redes sociais, se aproximar de embaixadas e de sair de casa à noite e nos fins de semana — medidas típicas de quem está sob forte suspeita de crimes graves contra a democracia.
Rubio, ecoando o discurso persecutório da extrema direita brasileira, classificou as ações do ministro como uma “caça às bruxas política” que “viola direitos básicos dos brasileiros” e, segundo ele, chega a ameaçar até os americanos. Essa retórica, além de delirante, revela a tentativa de Trump e seus aliados de utilizar o aparato do Estado norte-americano como extensão dos interesses da extrema direita global, especialmente na América Latina.
Trump, Rubio e a tática da inversão moral
O governo Trump, agora fortalecido por um Congresso republicano radicalizado, tenta transformar em “defensores da liberdade” justamente os que tentaram subverter a democracia — como Bolsonaro, responsável por uma tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. A lógica é invertida: os que combatem os golpistas viram tiranos, e os que atacam a Constituição posam de mártires.
Rubio diz agir para punir “estrangeiros que censuram a liberdade de expressão”. Mas qual liberdade? A de organizar redes golpistas via Telegram e Twitter? A de espalhar fake news em massa, como Bolsonaro fez nos ataques às urnas eletrônicas? A de planejar um golpe com militares, ministros e deputados?
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A retórica de Rubio se alinha com o “padrão Orbán” de governança: desmontar instituições sob o pretexto de salvá-las da “tirania dos progressistas”. O mesmo modelo vem sendo replicado por Trump, Netanyahu, Milei e outros representantes do que se convencionou chamar de Internacional Reacionária.
O STF como alvo internacional da extrema direita
O que vemos aqui não é apenas um gesto simbólico. É uma mensagem. O recado de Rubio é claro: os ministros do STF que ousarem enfrentar Bolsonaro e seu círculo estão na mira de uma rede internacional de ultraconservadores que, agora, ocupa novamente o centro do poder em Washington.
Mais grave ainda: Rubio diz que a sanção se estende a “familiares” e “aliados” de Moraes, um gesto tipicamente autoritário que lembra práticas de ditaduras, onde o castigo se estende a inocentes por associação. E sem sequer listar quem são esses “aliados”, o secretário de Estado reduz a diplomacia dos EUA ao nível de um post vingativo no X (antigo Twitter).
A resposta de Brasília, até o momento, é de cautela. Mas bastidores indicam que ministros do STF receberam o anúncio com indignação e ironia. Um deles, segundo o jornal Valor Econômico, enviou a frase “Sempre teremos Paris” — referência ao clássico Casablanca (1942) — sugerindo que os EUA de Trump deixaram de ser destino confiável de quem luta pela democracia.
A ofensiva é política. A resposta precisa ser institucional
Rubio age como um mensageiro do trumpismo, e não como um diplomata. E a medida, ainda que inócua do ponto de vista legal (afinal, Alexandre de Moraes não precisa dos EUA para exercer sua função), é politicamente ofensiva: tenta intimidar juízes e sinalizar apoio externo aos golpistas no Brasil.